Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Pimenta e Pureza

 Por: Viviane Cabrera




A magia do amanhecer
está na crença de quem o aprecia.
Simplesmente deixar-se ser
 e celebrar o dia.

- X -

O ritmo alinhado dos pés descalços,
um após o outro na sua vez.
Seguem eles na direção do monte mais alto,
lugar onde a paz reine, talvez.

- X -

Torna-se o ser humano tal qual o sentimento.
Nesses altos e baixos segue o amador.
Anda em frente sem adiamento,
esperando somente o sol se pôr.

- X -

Inquietude de querer serenar,
sem ao menos ter noção
de que nascemos com uma missão.
Somos instrumentos de amar.

- X -

Intransitividade do verbo ativo,
não sei se o conjugo ou se o vivo
para trazer à existência um pouco de leveza
com a combinação intrigante de pimenta e pureza. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A Janela

Por Viviane Cabrera





Toda noite me deparava com aquela janela. Estava ela toda exposta, escarando seu mundo para mim sem
pudor algum. Via aquele portal maravilhada. Quantas coisas, pessoas, histórias e situações haveria por trás
daquelas duas simples folhas de madeira vagabunda, mofada e cheia de marca do tempo? Perguntava-me  sempre que defronte estivesse a bendita.


Há muito tentava imaginar o que ali tinha. Era mais do que uma janela. Era uma oportuna chance de satisfazer minha curiosidade.


Com luzes acesas ou apagadas. As roupas que se apropriavam da varanda languidamente. Meus olhos que também tomavam posse do cenário, tentando desvendar um mistério alheio à realidade que eu pertencia.


 Nem um rosto sequer consegui ver, somente sombras movimentavam-se de um lado a outro. E por longo tempo observei. Anos passaram naquelas noites em que, esperando um trem para ir embora, fitava fixamente as vistas cansadas na janela entreaberta.Contudo, chegou o momento em que a hora se apresentou e o sol tomou seu posto. Talvez seja agora o momento de esquecer as sombras para viver de  luz. Cansei de me esconder atrás daquela misteriosa e maltrapilha janela.


Bendita, janela...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

SEM SAÍDA

Por: Viviane Cabrera








Vou do meu jeito,
um tanto estranho,
meio torto, meio direito
seguindo o caminho a que me proponho.



Um pouco Plath, Lispector e Meirelles,
reúno em mim
zilhões de encantadoras mulheres
em um labirinto sem fim.



Não quero, portanto,
deixar de rir meu riso,
de chorar o sagrado pranto
que lava e leva tudo consigo.



Quero dos trilhos ser caminho.
Com palavras acalentar.
Das misérias ser o extermínio,
para fixar nalgum lugar.



Quero que a acústica desse oco,
sem motivo nem resolução,
propague esse som choco
que sai ao insistir em deixar pulsar o coração.

SONHO É O QUE MOVE O MUNDO

Mesmo com poucos selos que permitem a jovens talentos a oportunidade de lançar livros, Caroline Rosseto concretiza seus objetivos.
Foto e Reportagem Por: Viviane Cabrera

CONQUISTA – Caroline Rossetto mostra o fruto de seus esforços.

Caroline Rossetto, de 26 anos, escolhe desde cedo o caminho das palavras. Talvez influência de sua mãe, professora de língua portuguesa, fez das letras degraus que permitiram com que chegasse ao ponto desejado: a publicação de seu livro.

Por quatro anos ela fica entre incansáveis pensamentos, ideias limadas no papel, até atingir sua meta. Logo tinha seus escritos registrados e ia em busca de uma editora. Mais dois anos se passaram. A garota de sonhos simples e vida difícil leva muitas recusas sob a forma da negativa de três letras. É como um arpão a atravessar seu âmago e desafiá-la. Tudo que ouve é: “Seu livro é muito bom, mas não estamos interessados agora”.
Já em vias de desistir, resolve colocar o livro em um site voltado para editoras. Em julho de 2009 tem nas mãos o fruto do homérico esforço e degusta o sabor de sua vitória: “Na época de lançamento o interesse era tanto que pensei que fosse virar a J.K.Howling brasileira”, conta em meio a sorrisos que logo dão lugar a outras feições em seu rosto juvenil.
Colocado a um preço nada acessível, as vendas não deslancham como o esperado. Chateada e com certa indignação, sente ruir as bases de seu sonho: “Foi a partir daí que eu descobri como é que funcionava o mercado literário realmente. O Brasil quase não lê e os preços são absurdos”, desabafa com tristeza e um tímido esboço de lágrima em seus rutilantes olhos.

BUROCRATIZAÇÃO DA CULTURA

O mercado editorial brasileiro é extremamente restrito se comparado ao do restante do mundo. Enquanto as grandes editoras vendem diretamente às livrarias, as pequenas trabalham com o sistema de consignação. O autor recebe unicamente 10% sobre o valor bruto de sua criação, sendo que a editora fica com 40% e o restante dos lucros é da livraria.
De acordo com pesquisas coletadas pelo Sindicato Nacional de Editores de Livros (SNEL) e a Câmara Brasileira do Livro, estima-se que em 2009 – mesmo ano em que a autora lança seu livro – publicou-se 401.390 exemplares. Já o faturamento é calculado em 4.167.594.601,40 reais. Vê-se que a “cadeia alimentar capitalista” em nada beneficia a literatura, visando somente ao lucro e não objetivando a propagação cultural no Brasil.
Em contato com a Editora Átomo, selo vinculado à Academia Brasileira de Letras de Campinas, Helena explica uma forma que a ABL encontrou para lançar novos nomes: “Trata-se de reunir vários autores em uma só publicação. O valor depende do número de páginas, se a pessoa quer em preto e branco ou se haverá utilização de imagens e cores”. Nessa taxa, estariam inclusos o coquetel de lançamento do livro e o autor teria direito a 20 exemplares (por ser uma baixa tiragem).
E nessa vereda burocratizada, correm contra o tempo muitas “Carolines”. Todas em busca do maravilhoso Éden que é o reconhecimento de seu trabalho literário.
PEREGRINA DAS PALAVRAS
Parar de escrever. Uma hipótese que não consta no caderno de sua vida. Nele a prioridade é fazer de sua literatura uma ferramenta para construir um futuro farto de letras e pensamentos frenéticos que lhe renderão o tapete vermelho do reconhecimento que tanto anseia. Como Brás Cubas com seu emplastro, cá está uma promissora jovem com seus escritos: “Ter o meu livro, ali, na minha frente, foi resposta para várias coisas. É um ‘cala a boca’ para muita gente. Não sou mãe. Mas talvez, seja a mesma sensação de se ter um filho”.
Confessa cabisbaixa que já pensou em desistir. No entanto, frisa com uma força sobrevinda não se sabe de onde que são em momentos como esses que ideias e estórias aparecem a equilibrar-se no trapézio de seu cérebro.
Como um sonho já se concretizou, ela fica a galgar degraus mais acima do que se encontra: “Por incrível que pareça, eu penso no Tim Burton e o quanto gostaria que conhecesse e dissesse que o meu trabalho é bom. Por que não sonhar desse jeito?”, lança ao universo de seres que a cercam.





segunda-feira, 12 de setembro de 2011

BREVE ESPERANÇA


Por: Viviane Cabrera












Quem sabe um dia,

eu deixe essa eterna mania

de só procurar

o que sei que nunca vou encontrar.
 
 
 
Devagar, mesmo que a vida seja curta,
 
quero cantar aquela melodia surda,
 
que só eu entendo...
 
que só eu compreendo...
 
 
 
Vou mergulhar nesse desatino.
 
Fazer dessa canção um hino!
 
Sem me esquecer
 
que o melhor da vida,
 
ainda que haja ferida,
 
é justamente viver.
 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O VERDADEIRO LAR

POR: VIVIANE CABRERA





Ela acreditava no ser humano.
E por acreditar,
tropeçava nas pedras do caminho
sem direito à ajuda para se levantar.


Corria entre vales e colinas verdejantes.
Arrastava-se no deserto escaldante.
Buscava apenas algo que nem intuir o quê.
Ia além de seus limites sem nem mesmo saber ou compreender.


Às cegas, sentindo as experiências
que a própria vivência
lhe proporcionava
e ela nem notava.


Até que em uma tempestade,
o mau-tempo virou maldade,
ferindo a andarilha
 e tirando-a da trilha
que nunca deveras ter saído,
pois jurou e havia prometido
concretizar o maior feito de sua vida.


Nada mais era que uma saída.
Ser a mesma em qualquer lugar,
jamais traí-la e sempre a amar.
Afinal, não há morada melhor,
além dos caminhos que sabe de cor,
que fazer de nós mesmos o mais perfeito lar.

POEMA DO CORAÇÃO

POR: VIVIANE CABRERA











Se quer viver de verdade,

tem que levar a vida com intensidade,

sem deixar para trás nenhum sonho ou anseio.

Abra seu coração no meio

e deixe que dele saia e tome conta

da sua existência,

tal qual no mar o que movimenta é a onda

o que traz felicidade é simplesmente dar vazão à essência!