Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A HORA DA VIRADA

POR: VIVIANE CABRERA






 
Chegou a hora de virar a mesa,

chutar para longe essa tristeza...

que cultivar não vale a pena,

pois a causa é pequena.



Abro minh'alma para o Acaso.

Espero que chegue sem atraso.

Já não aguento mais

conter meu eu e enclausurar minha paz.



Vou viver,

respirar ar puro e florescer.

Chegou a hora,

desse sonho realizar

que aqui dentro mora

e que eu vou concretizar!

RX DA SITUAÇÃO

Por: Viviane Cabrera



Domingo gelado

e o pensamento parado

no vão que sobrou...

do que restou.



Já raiou o sol,

enxergo os caminhos para onde vou.

Perseguir com determinação meus objetivos,

cuidar da família e amigos,

é a tábua de salvação

para meu coração

que nesse momento

se esmigalha em lamentos,

aguardando a redenção...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Um Pouco Do Meu Muito



Por: Viviane Cabrera


Verdadeiro contraste de introspecção e volúpia. É um deixar-se levar pelos caminhos do Acaso, mas com suas próprias pernas rumar ao lado que se queira. Viver é um eterno retorno ao passado. Afinal, hoje é a superação do ontem e a base do amanhã. Quero solidez para construir uma estrutura definitiva. De todas as formas possíveis, procuro fazer o meu melhor. Não sei se é o bastante. No entanto, é o que tenho a oferecer.

Quem olhar através de mim saberá. A essência se sobrepõe ao que é aparente, tornando-me um tanto excêntrica a certa medida. Sustentam meu esqueleto a verdade e o sentimento. Sou o que escrevo. Entre sílabas e palavras, frases e parágrafos. Em cada um de meus textos, ali estou eu. Entrego-me sem reservas ao lápis e papel. Enfrento até mesmo a terrível tela branca do word com a espada desembanhada da criatividade.

Sou mulher de pimenta e açúcar. Se a pimenta não lhe aprouver, tampouco o açúcar servirá. Não escolha as cores para retratar-me sendo que não conhece as verdadeiras nuances do meu ser. Com um jeito um tanto desastrado, tropeço em situações que rendem histórias. Fazer o quê? A existência é uma loucura e estamos aqui para dar a cara à tapa, mesmo!

Por mais que tenha vivenciado experiências nada agradáveis, mantenho minha postura. Creio na vida, no ser humano. Tenho esperança de dias melhores. No entanto, essa sonhadora que acredita em contos de fadas, atrapalha o pragmatismo que se deveria ter. Num compasso desleixado, caminho na rua escura. Não tenho medo. Só quero dar os passos segundo a direção que meu coração quiser. Quem é muito racional, chega a robotizar-se pelo controle que faz de si mesmo e perde a sensibilidade. Chamem de irracionalidade! Mas na equalização do meu ser, sou mais emoção do que razão. Por acaso é crime? Se a resposta é positiva, já estou enquadrada...

Saio por aí. Sentir a brisa indo de encontro ao meu rosto, meu corpo, minha alma... Sensação que refresca meu âmago e alivia um pouco de tudo isso que não dou conta e que se chama EU...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Crônica do Leito Vazio

Por: Viviane Cabrera






Fim de tarde. Passo a organizar cada canto de nosso ninho para que se sinta aconchegado. Aromatizo os ambientes com sândalo e deixo rastros com pétalas de rosas brancas no tapete vermelho que segue aos aposentos. Enquanto não chega aquele a quem devoto minha vida, fico imersa em uma banheira de sais e óleos perfumados. Dessa forma, minha pele será o pêssego macio que ele tocará.
Ao secar-me, espalho o mesmo sândalo que perfumou a casa no corpo inteiro. Assim, os braços e todo meu ser parecerão sua residência, seu refúgio seguro. 
Cai a noite. Visto a mais pura seda, para que quando me abrace, sinta tecido e pele uma coisa só.
Com mel nos lábios e corpo perfumado o aguardo. A cada dia, uma tâmara caramelizada coloco em sua boca. É símbolo de que estou em sua vida para torná-la mais doce, suave e alegre. Afinal, amar é adoçar a existência do outro e a nossa também.
Espalho nos aposentos, agora, pétalas de rosas vermelhas. Acendo velas e apago as luzes. Deitada no leito nupcial, aguardo o momento em que meu querido virá. Envolta na aura noturna de paixão e espera, iluminada pelo luar daqueles que se amam, fico ali imóvel. O mel nos lábios, o corpo, o coração ansioso a saltitar a cada barulho.
Cá estou eu, esperando aquele a quem fui destinada. O homem a quem devoto todo o meu amor. Peço aos deuses que ele chegue sorrateiramente e tome posse de tudo que lhe pertence. 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Beija-Flor


Por: Viviane Cabrera





Vislumbrava o céu. Suas nuances de azul entrecortadas por bailarinas nuvens naquela imensidão atraía meu olhar. Os olhos ali, parados. E o mundo continuava a girar. Pássaros em sua infinita liberdade voavam e experimentavam a sensação única daquele bater de asas. Estática, admirava o que minhas vistas cansadas tinham ao seu alcance. Sentada no gramado e as costas apoiadas no tronco de uma árvore, vi quando caiu à minha frente um beija-flor.

Quando criança, queria que uma fada encantada me transformasse nessa ave. O bater frenético de suas asas reluzentes, o desembaraço com que iam de flor em flor colher o doce néctar e iam embora sem nem mesmo dizer adeus. Escolhiam as que mais lhe apeteciam. Podiam escolher. Eu não. Fora que o nome também é bonito: BEIJA-FLOR.  

Todavia, nunca passei de uma tímida garotinha que sonhava um dia poder abraçar o mundo e não só beijá-lo. Fitando o pássaro, minhas mãos involuntariamente o pegaram. Talvez houvesse algo que pudesse fazer para que ele restabelecesse sua avidez e vivacidade que outrora observei.

No entanto, tudo em vão. Estava segurando um cadáver e tentando lidar com o sentimento de impotência diante das circunstâncias.

Quantas belas flores deixariam de ter seu néctar colhidos pelo beija-flor? Quanto do céu ele não mais iria percorrer com sua penugem resplandescente ao sol e seu altivo bico a cortar o ar em seus mais altos vôos? 

Sem saber o que fazer pranteei o finado. Cavei junto à árvore um buraco fundo com as unhas mesmo. Queria que meu esforço fosse digno de meu estimado e falecido amigo. Após enterrá-lo, fiz uma busca ao redor para achar pedrinhas que pudesse colocar em volta de sua sepultura. Achei também dois gravetos, que amarrei com a linha que arranquei de meu vestido. Túmulo ajeitado. E lá se vai o último adeus.

Ao colocar um dente-de-leão sobre sua eterna residência é que me dei conta. junto ao beija-flor, sepultava também os sonhos pueris de um mundo em que fosse possível atravessar a vida sem se preocupar com a altura ou a queda. Um mundo em que escolher fosse direito garantido em constituição e em verdade executado tal qual estivesse na lei.

Mais um dente-de-leão depositado sobre o pequenino túmulo. Precisava ir embora. A realidade me chamava de volta ao cruel mundo em que minhas asas foram mutiladas.  

sábado, 14 de maio de 2011

Mais Um Capítulo no Livro da Vida

Por: Viviane Cabrera




Um belo dia a gente acorda e vê que as coisas não estão mais em seus devidos lugares. Passamos a tentar entender as razões dos acontecimentos sem ao menos correr atrás de uma solução imediata e palpável. E ao tentar desembaraçar tão nodosos fios, nos perdemos entre angústias e lágrimas desesperadas.
Com um turbilhão de pensamentos que nos fazem ter até vertigem, chega-se até a crer que a loucura é nossa mais fiel companheira. Mas uma pantera rasga por dentro o peito. Essas escoriações são a prova cabal de que o ser humano nada mais é do que refém de suas emoções e do acaso que o envolve.
Uma vez que existe, é obrigado a pensar para manter-se na condição vital que lhe cabe. E, ocupante de tal posição, deve sempre portar-se de forma a violentar suas vontades e abrindo mão das mesmas em prol de uma contrapartida material. Torna-mo-nos seres mecânicos, individualizados e ausentes de qualquer autonomia. Às vezes, chego a me questionar se não seriam Marx e Nietzsche profetas do apocalipse... 
Enquanto o barbudo com sede de justiça social alertava para a realidade alienante, o bigodudo em meio aos seus devaneios afirmava  - em palavras mais intelectualizadas, claro! - que a facilidade com que as coisas se apresentam "mastigadas" e a ausência do trabalho de ter de pensar nos leva a sentir vontade do nada. Sim, é a mesma coisa! Só que o último acrescenta a incessante vontade do nada. Porém, as adversidades são o momento da revolta. É aí que saímos da apatia cotidiana e nos colocamos a refletir e reavaliar o peso que as coisas tem em nossas vidas.
Sob instinto de sobrevivência, nos agarramos a todas as possibilidades para não cair no abismo pessimista do mundo que nos cerca. Cada mínimo detalhe faz a diferença nessa hora. Um carinho, uma palavra de conforto, um sorriso, um gesto qualquer. Uma única atitude significa que há alguém que se importa, que te ama e que estará ao seu lado para o que der e vier.
Diante disso, nos tornamos quixotescamente fortes com a espada da coragem desembanhada e reluzente sob o sol de um promissor amanhã. Sigo, eu também, nessa estrada desconhecida. Minha vantagem é ter a radiação luminosa daqueles que amo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sonho Com Meu Bem

Por: Viviane Cabrera

 







Sonho contigo, meu amor.

E nessa quimera inebriante, sinto-me desfalecer.

Desfaleço pois a distância aumenta a dor

que sinto por aqui a meu lado não o ter.



Sonho com o momento em que me perderei em seus braços,

para me achar em uma felicidade sem fim.

Quero para a eternidade atar nossos laços,

ter para sempre você junto à mim.



Embebida desse sentimento, seguirei ao lado teu.

Sei que enquanto eu viver,

não há de ter

amor maior que o meu.



Não há para o que sinto uma explicação.

O que posso dizer

e que jamais hei esconder

é que só você faz pulsar meu coração.



Cada vez mais cresce a vontade de cuidar do amado meu.

Nele encontro refúgio e segurança.

E vejo viva a chama da esperança

de que aceites, para todo o sempre, o meu ser como sendo seu.