Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Alma Selvagem


Por: Viviane Cabrera




Desperto, como que de um sonho bom
E da alma me vem um som
Afinado em um tom
Que se mostra harmônico dom,
O qual só sei viver com.

Movida pelo espírito criativo,
Com uma ânsia pelo inexplicável como incentivo,
Me abandono no sentido instintivo
Que ainda que abrasivo
É o que mantêm meu ser vivo.

E vivo a espreitar o momento
Em que a alma encontrará seu alimento,
Em que será vão qualquer argumento,
Em que o espírito estará bento
Com o etéreo e a substância em casamento.

Vem uma fome de tudo que é selvagem.
Mergulho nessa viagem,
Sem volta e com pouca coragem.
Mas sei que há de haver vantagem
Nessa vital aprendizagem.

Gosto do que é incerto,
De enfrentar o que vier de peito aberto.
Do meu jeito, o errado eu conserto.
Do meu jeito, no que estiver vazio eu enxerto
O imprescindível para manter meu ser pleno e liberto.

Corro livre pelo caminho,
Curtindo a balada do eu sozinho,
Retirando dos pés cada espinho
Que acumulei entorpecendo meu ser aos pouquinhos
Quando me lancei em meio ao rodamoinho.

Tudo por gostar do que é intenso,
De experimentar o denso,
A freneticidade a que meu ser está propenso
E que, penso,
Deixa o horizonte da existência ainda mais imenso.

Coisas de uma alma esfomeada,
Movida por uma angústia desatada,
Que se deixa apeada,
Para erguer-se num jogo ou empreitada,
E depois dar a última cartada.



terça-feira, 4 de novembro de 2014

Desapegue



Por: Viviane Cabrera




Desapegue.
Negue
Essa ideia que te persegue,
Que não te deixa em paz e você não consegue
Estar mais do que entregue
Ao momento de desenlace a que se segue.

Desapegue.
Consuma a substância que é o momento para que a ti sossegue,
Coisa vil que em tua alma descarregue
Toda a sorte que derruba e ergue
Para que a bateria vital recarregue
Sem o espiritualismo vão que alguém pregue.

Desapegue.
Essa vida é um tobogã pedindo para que escorregue.
É oceano a encontrar alguém que navegue
E em suas águas revoltas a salvação enxergue.
É o benefício do trabalho a quem o empregue.
É destino certo para quem no caminho prossegue.

Desapegue.
Muito do que passou doeu, mas é só a ponta do iceberg.
Acostume-se ao gosto metálico e não o delegue
A outro. Não o postergue,
Para que assim a alma não envergue
Em curvas onde a respiração ofegue.

Desapegue.
Tudo mais que te aflija, a último plano relegue.
A essa batalha, não arregue.
Não deixes que na cara o destino te esfregue
Que perdeu como que um tesouro que legue
A oportunidade de ser um livre tuaregue.

Desapegue
Desse amor que persegue.
Negue.
Porque a vida prossegue
Qual flor que cresce por ter quem a regue.
Desapegue, pois é vida que segue.