Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Transmutar


Por: Viviane Cabrera


Quando me faço poesia
Chovo em pingos densos,
Intensos,
Que se misturam ao orvalho da manhã todo dia.

Caio com as folha de um outono vão.
Viro trigo, aveia, centeio.
Viro semente, um devaneio.
Floresço enquanto me agarro ao chão.

Voo no vento
Sem pensar em nada
Carregada por essa sensação alada
De fazer da liberdade meu maior intento.

Queimo em labaredas envolventes
Na fogueira incerta de minhas paixões
A consumir lenhas da razão e suas definições,
A reduzir tudo à subjetividades incandescentes.


Quando me faço poesia
Vejo com o olho alheio
E enxergo aquele que veio
Acabar com o que nos dividia.

Me deixo tecer
Entre fios fortes.
Mas é destruir nós de todas as sortes
O que quero fazer.

A solidão vou parir
Para mergulhar em mim.
Compreender porquê sou assim
E com satisfação sorrir.

Vou submergir nos oceanos
Procurando alguma lógica nos meus lamentos
E afogar as dores, os maus pensamentos
Junto aos impulsos insanos.

Quando me faço poesia
Abro as portas antes trancadas
E me encaminho leve para versos e estradas

Em busca de analgesia.

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