Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Procissão



Por: Viviane Cabrera


A multidão
Segue em estado de transe
Na procissão.
Vai em busca de uma outra chance
De ter acesso à libertação.

Ao se arrastar
Milhões de pessoas a esquecer
Da exaustão de seus corpos e o mal-estar
Apenas porque pensar os faria enlouquecer,
Apenas porque a loucura os faria acordar.

E no caminhar nada desenvolto
Vão a esmo,
Querendo encontrar algum fio solto
Para tecer mortalha de si mesmo,
Para manter o ânimo em resignação envolto.

Segue
Numa dança em descompasso
E pés arranhando o chão para que a vida não escorregue.
Nos rostos estampado o cansaço
E sorrisos plásticos para evitar que a massa desagregue.

A certa altura
Tudo se afunila
Para logo em seguida dar abertura
A uma volumosa fila
Em um avançar que perdura.

Ao fim de tudo,
A esperança da resolução final invade.
Cada um em sua sina de ser espadaúdo
Aguenta como dá o recomeço da desumanidade
Em um desalento que grita mudo.






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