Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

domingo, 1 de março de 2015

Olhar de Cigana


Por: Viviane Cabrera


Um dia quero ter olhos de cigana
Para atingir o alvo,
Certeira como veneno em zarabatana
Não deixando nada a salvo.

Com um olhar magnético
Quero prender a alma e atenção,     
Mantendo a presa em estado acinético
A tentar definir o que há além destes olhos, com precisão.

E no jogo de caça e caçador
Dançar no ritmo das paixões incandescentes
Resistindo ao impulso tentador
De atirar-me a braços insolentes.

Um olhar fulminante,
Mais eloquente que uma guitarra flamenca.
Que cause uma sensação delirante       
Atando a mim quem o meu desejo intenta.

Como uma força sobrenatural,
Atrair para junto de mim
Corpo, mente e coração de um jeito tal
Que desalinhe os lábios desenhados na cor carmim.

Na leveza dos movimentos
Em redor de uma fogueira altiva
Vem a Cigana Rosa dos Ventos
Conceder-me tal dádiva.

Então, meus olhos arrebanham o que estava perdido.
O corpo é todo encanto
E provoca um desejo incontido
Que funde em um só demônio e santo.

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