Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

domingo, 1 de março de 2015

Constatação


Por: Viviane Cabrera




Amo sem amar,
Apenas por haver amor em mim.
Amor que de intenso vem a transbordar
Mas que não se perde e nem tem fim.
Não há objeto de amor.
Não encontrei ainda alguém
Que me fizesse sentir o intenso primor
De me abandonar no outro e ir além.
E nesse abandono,
Lançar mais do que fagulha  
A se espalhar pela brisa de outono
Incendiando lugares que ninguém patrulha.
Do desejo de se fazer presente
Esse amor enjaulado
Quer ser mais que lampejo,
Quer livrar-se desse Eu danado
Que olha de longe o cortejo,
Que da sorte
Não teve mais do que um aceno,
Embora sem rumo nem norte,
Pleno de um olhar melancólico e sereno.
Faço do tempo um parceiro,
Confessando-lhe todos meus anseios
De transcender ao rotineiro
Sem mais rodeios.
Enfim, hei de um dia
Estar às voltas com o que não me é alheio,
E em total entrega e ousadia
Desfrutar a tudo sem culpa ou receio.

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