Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

domingo, 15 de março de 2015

Azul


Por: Viviane Cabrera



Azul desentranhado.
Um degradé de azul na imensidão
Preenchendo o céu todo esparramado
E pleno em sua amplidão.

Entre massas gasosas de cor láctea,
Que tingem os espaços de quando em quando,
Deixando nítidos pássaros em revoada
Disputando o monopólio aéreo com aviões e helicópteros que vão passando.

Às vezes acho que o céu
Foi feito para acalmar quem o admira.
Pois contemplá-lo é como deixar-se estar languidamente no alvéu
Enquanto o olhar no firmamento se mira. 

O infinito entra dentro da gente
Manchando de azul alma, mente e coração.
Alivia toda a dor pungente
Como se fosse o bálsamo num rito de oração.

Do cinza nebuloso que invade
Em um dia outonal ou de inverno,
Incita um quê de insanidade,
Nos levando do paraíso ao inferno.

Esse cinza de escalas,
Intruso por excelência,
Vem a travar batalhas
Querendo se impor com prepotência.

A tempestade 
reivindica para si, também, um naco de poder.
Mas logo se apercebe de sua efemeridade
E aceita que à perpetuidade não pode nem deve se render.

Mas o azul altivo
Chama o reforço do sol para espantar o inimigo.
Surge em seguida, redivivo,
Aniquilando a tristeza que trazia comigo.

Soberano senhor da amplitude,
O azul do céu toca o que em mim
É embrião de vissicitude
a buscar efetiva existência, enfim.

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