Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Palavra oculta



Por: Viviane Cabrera




Escreve. Apaga. Escreve mais algumas linhas. Olha para elas, analisando frase por frase, palavra por palavra, sílaba por sílaba, letra à letra. 

Escreve mais um pouco. Para. Pensa. Olha ao redor e suspira. 

Volta para o texto. Sorve toda a semântica daquela construção. 

O toc-toc do teclado começa a causar angústia, ansiedade. Fica-se em meio a um algo que precisa ser lapidado, mas que não se vê a hora de terminar. 

Novo olhar crítico. Corta uma palavra aqui, insere uma vírgula ali. Ponto. Ponto. Ponto. 

Tudo terminado, texto redondinho e raciocínio claro, objetivo, como deve ser. Está ali todo o contexto necessário para se fazer entender. 

Última olhada antes de enviar o texto. 

Começa a parecer exagerado. As palavras se avolumam diante dos olhos a ponto de dar nó na garganta e medo do possível efeito. Bate a dúvida: enviar ou apagar?

O mouse flutuando por cima do botão enviar e o coração em sobressaltos. Enviar ou apagar? A cabeça roda em giros constantes. Enviar ou apagar? Um rosto invade a memória e acentua o impasse. Enviar ou apagar?

Num rompante, fecha a aba da página de internet. Não enviou. O medo fez com que as palavras jamais ditas se transformassem em uma cortina pétrea de incertezas e desenganos na frustração do silêncio.

Melhor assim. 

No silêncio não é preciso pontuar nada. No silêncio somente um rumina pensamentos e dizeres para si. 

No silêncio é onde se pode recostar e esperar. Pelo quê? Boa pergunta.

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