Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Noturno


Por: Viviane Cabrera


Lua alta e cheia
Faz com que tua imagem venha em pensamento,
 E nele vagueia.
Ao resto já não mais me atento.
Fico a sonhar,
Com a lua ali inteira de memórias a emaranhar.

Desse sentimento intratável,
Pulsam lembranças de um instante
Em que o desejo já em mim inabitável
Fez do querer vontade incessante
Do teu corpo a tomar o meu,
Do meu desatino a se misturar com o seu.

Nos teus braços entregue,
As curvas da minha pele
Clamam ainda que me navegue
E com as bênçãos dos deuses da alcova zele
Para que esta fome um do outro
Se satisfaça no gozo doutro.

Teus lábios escorregam e descobrem meus seios,
Dois núcleos sensitivos do meu deleite.
Teus olhos em volúpia permanecem cheios.
Peço que meus gemidos, aos seus ouvidos, aceite.
E das bocas num encontro perfeito,
Sigo até conseguir versar à poesia do teu prazer liquefeito.

E do amor na carne, querido,
Meu sentimento por você está explícito.
Pois que nessa entrega está a revelação que o silêncio faz dorido.
Porque tu és as palavras belas que em versos recito
Na quietude e num rebuliço desmedido.

No receio de não ser esse amor correspondido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário