Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Chover


Por: Viviane Cabrera




Enquanto o tempo passava

Com um vento forte soprava

Eu chovi num desalento salgado,

Num pranto até então ignorado

E que agora rebentava forte

Reclamando um pouco de sorte

Depois de dias desgraçados

Por caminhos amaldiçoados,

Purgando a treva de uma alma torta

A quem só a cura realmente importa.


Num choro convulso,

Trovoei de impulso

Ao resgatar memórias,

Lembranças das mais inglórias,

Que atormentavam a alma

Tiravam o sono, a paz e a calma,

Remoendo as cicatrizes no espírito

Provocadas por um sofrimento empírico

Que da pele passou para outras camadas profundas

E cada dia mais afunda.


E de tanto chover

Inundei-me sem saber

Ao menos um meio para me salvar.

Com água no pescoço, sigo a clamar

Um jeito de estar liberta

Em segurança, forte e coberta

Por uma proteção divina

Para que eu possa seguir minha sina,

Gozar a vitória

E reescrever, enfim, mais esta história.

Nenhum comentário:

Postar um comentário