Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Desapegue



Por: Viviane Cabrera




Desapegue.
Negue
Essa ideia que te persegue,
Que não te deixa em paz e você não consegue
Estar mais do que entregue
Ao momento de desenlace a que se segue.

Desapegue.
Consuma a substância que é o momento para que a ti sossegue,
Coisa vil que em tua alma descarregue
Toda a sorte que derruba e ergue
Para que a bateria vital recarregue
Sem o espiritualismo vão que alguém pregue.

Desapegue.
Essa vida é um tobogã pedindo para que escorregue.
É oceano a encontrar alguém que navegue
E em suas águas revoltas a salvação enxergue.
É o benefício do trabalho a quem o empregue.
É destino certo para quem no caminho prossegue.

Desapegue.
Muito do que passou doeu, mas é só a ponta do iceberg.
Acostume-se ao gosto metálico e não o delegue
A outro. Não o postergue,
Para que assim a alma não envergue
Em curvas onde a respiração ofegue.

Desapegue.
Tudo mais que te aflija, a último plano relegue.
A essa batalha, não arregue.
Não deixes que na cara o destino te esfregue
Que perdeu como que um tesouro que legue
A oportunidade de ser um livre tuaregue.

Desapegue
Desse amor que persegue.
Negue.
Porque a vida prossegue
Qual flor que cresce por ter quem a regue.
Desapegue, pois é vida que segue.





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