Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Derramar


Por: Viviane Cabrera





Presa nesse labirinto,
Fluxo violento do acaso faminto
Por intensamente me devorar
Toda vez em que tento vigorar
Algo que morre
Algo que escorre
Por entre os dedos calejados.
De um jeito desordenado,
Acredito que preciso seguir em frente
Resolver algebricamente
Coisas que seguem sem solução.
Coisas que me causam aflição.

E de um lado a outro
Qualquer oráculo ou douto
Que queira me cercar de bons conselhos
Há de perder-me ao viço vermelho
Da inconstância dos meus atos.
Dissolvo-me na liquidez dos fatos
A que estou exposta,
Esperando resposta
Das perguntas que ainda não fiz.
Sigo como mera aprendiz,
Desconstruindo tudo que sou,
Tentando me encontrar nos caminhos por onde vou.


De um lado a outro
O coração pulsando solto
De amarras vis
De angústias azuis.
De um lado a outro,
O coração envolto
Da maré cheia de lodo
Que há de marcar meu êxodo
Para algum lugar
Onde não se possa localizar
Vestígios do que se foi um dia.
Rastros dessa arritmia.

Vai e vem.
São muitos, mas não vejo ninguém
Que possa compreender
Um pouco desse fogo que insiste em arder
Sem queimar ou deixar marcas aparentes.
Fogo que consome catastroficamente
O que edificado
Se mantêm, apesar de ter estado
Em ruínas em outra circunstância.
Na tentativa de consolidar uma constância
Fazendo da vida um palco imenso
                        Onde o espetáculo jamais estará suspenso. 



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