Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Silêncio

Por: Viviane Cabrera





O silêncio é cinza,
É vácuo de uma tarde ranzinza.
É rua escura e vazia,
Numa criação árdua de carpintaria
A desfazer as imperfeições de ruídos
Para não sobrar estampidos
Que perturbem a ordem
E que no coração eclodem.

O silêncio é barulhento.
Mais alto que qualquer argumento
Que o pensamento atrapalha,
Avacalha
E nos bota em confusão
Distraindo na intenção
De perceber o que há ao redor para ecoar
O que cá dentro está a incomodar.

Na quietude do tempo
Um vento
A interromper uma multidão
Que grita e diz não
Às pausas necessárias que a vida exige,
Ao acaso que a nau da existência dirige
Pelo mar sem fim
Do silêncio que se instaura em mim.

Não há o que fazer,
Posto que meu prazer
Está em serenar o que cá dentro grita,
Sufoca e incita
A uma violenta revolução
De sangue, suor, gozo e criação,
Que me sobra para provar
Do silêncio o seu mais puro néctar.



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