Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

domingo, 29 de junho de 2014

Ar de passarinho


Por: Viviane Cabrera





Numa lânguida tarde de outono

É no silêncio do vento que me abandono
A observar o que está em volta
A ir-se embora.

Mas antes,
Interiorizo os detalhes de minha obsessão constante
Em detectar memórias que suscitem gostos e sentimentos
Que marquem um momento.

As folhas no gramado gasto multicoloridas
Vem me entregar uma passagem só de ida
Às profundezas da alma minha
À curtir o que a existência cozinha.

Das árvores surge o canto de um passarinho,
Lá do alto, de seu ninho,
A narrar sua afetividade com o lugar,
Coisa inteira que se confunde consigo para acrescentar.

Canto intenso e dolorido
Que tenta ofuscar o alarido
Que sufoca a tudo,
Que tenta manter seu entorno mudo.

Entre altos e baixos a sublime melodia
Há de em mim fazer moradia
Enquanto eu puder respirar
Para que eu possa na vida mergulhar.

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