Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Reticências



Por: Viviane Cabrera





Dia desses, recebeu um sms no celular que a deixou um tanto balançada. Era um ex-amor. Desses de sentimentos vagabundos que se quer esquecer. Num conjunto de frases soltas, mas que se interligavam pela mesma linha de raciocínio, a mensagem dizia: "Saudade de você. Preciso te ver. Pensando muito em nós".


Não entendeu. Isso porque o tal "nós" não existia há algum tempo. Pusera um ponto final, pois via naquilo tudo uma grande armadilha, cuja qual sabia que sairia machucada. E, como forma de preservar-se de mais uma decepção, decretou o fim do que chamavam de relacionamento e afastou-se. 

Contudo, sentiu um certo frio na espinha. Talvez ainda restasse algum sentimento. E num ato de pura curiosidade, respondeu ao rapaz. Sem colocar palavras que de fato se ligassem ao que ele lhe mandou, perguntou como estava. Não demorou muito para sua caixa de entrada receber pelo menos umas cinco mensagens do sujeito. Empolgado, falava que estava bem. Seu único problema era não tê-la ao seu lado. Reclamava de saudades e queria nova chance. Inclusive forçando um encontro para conversarem olho no olho.

Por um momento, ela parou. Indagações variadas surgiram em sua mente e inquietaram seu coração. "Por que não tentar mais uma vez?", pensou. No entanto, a mesma certeza de sempre logo a invadiu: era preciso preservar-se de novas decepções. Fazia coleções delas e já estava cansada de ter de carregar seu peso. 

Ficou algumas horas olhando as mensagens, uma por uma. Precisava ter convicção para responder. Até que decidiu acabar com aquilo de vez. Respirou fundo. E numa sequência de dígitos é que saiu um: "Vou pensar".

 Pediu para que ele não ligasse ou a procurasse novamente. Repetiu que iria pensar. Taxativa, ela excluía assim o ponto final, a vírgula, interrogação e exclamação. Colocara reticências. Preferiu deixar no ar um talvez por entre as frestas da cortina de um futuro possível. Foi então que a esperança dele fez ponte no abismo que os separava. Ela não achou bom nem ruim. Quem sabe? Poderia ser um caminho a seguir mais tarde. 

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