Literária sempre. Monótona, jamais.

Devaneios de um protótipo humano na infoesfera.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Era uma vez no trem


Por: Viviane Cabrera







Dia desses no trem, entrou uma moça vendendo chiclete, amendoim, bala. Essas coisas. O discurso parecia ser comum aos vendedores ambulantes que batem perna de vagão em vagão dos trens da CPTM de São Paulo. 



- Boa tarde, pessoal! Tô aqui, humildemente TRA-BA-LHAN-DO. Tentando fazer um dinheirinho pra SO-BRE-VI-VER. Trago aqui a novidade da "marca tal" que lá fora está de R$ 2,00 a R$ 3,00. Mas na mi-nha mão você só paga R$ 1,00! - falava em tom firme e voz alta espaçando as sílabas de certas palavras uma jovem morena, cabelo crespo mal alisado, olhos grandes e negros, rosto fino. Devia ter lá pelos seus 18 anos. Não mais do que isso.

Cocei a cabeça. Essa história de ouvir sempre as mesmas coisas cansa. Foi quando ela prosseguiu, tirando o produto que vendia e colocando um na mão de cada pessoa do vagão e continuou a falar.

- Olha só! Ajuda aí, pessoal! Minha sogra morreu e preciso de dinheiro para fazer um churrasco pra CO-ME-MO-RAR! Tá todo mundo CON-VI-DA-DO! 

A gargalhada foi geral. Ao passo de alguns segundos, as pessoas colocavam as mãos nos bolsos e fuçavam nas bolsas para caçar moedas. Muitos compraram. E todos felicitando a vendedora pelo "acontecimento". Eu fui uma delas. 

A moça já deve ter uma certa experiência e observou que os usuários desse tipo de transporte carregam no semblante o cansaço. Matou dois coelhos numa cajadada só: transformou o cansaço, sofrimento em risadas e ali atingiu um bom faturamento. 

O trem chegou na estação. A porta se abriu e lá foi ela com sua mochila nas costas, correndo para não ser apanhada pelos guardas. Só esqueci de uma coisa: perguntar onde e quando seria o churrasco. Pena.

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